sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Sem definição

*Marília Martins Ferreira - 3º período


Ouço as palavras gritarem meu nome. Um nome qualquer que não é o meu de certidão ou de batismo. Grito calmo. Grito forte. Ruído alto que sussurra ao pé do ouvido pedindo socorro. O mundo do ainda – não – dito as incomoda assim como incomoda-me o mundo do não-escrito, não-falado, não-feito.
Ainda as estou escutando gritar e esse som esta me ensurdecendo. Não consigo saber o que elas querem, mas deixo que elas me usem. Usem e depois me devolvam ao mundo do ensurdecimento.
Não quero ser surda!Vou fazer um coral com as moradoras do dicionário. Enquanto elas gritam suas definições frias e calculadas eu grito a minha definição.
Como me defino? Como palavra. Aquela que grita pedindo socorro. O mundo sem definição e as coisas cheias de sentidos sem sentidos me incomoda. Incomoda-me ser palavra.
Parei de gritar. Não posso mais porque ainda não achei uma definição. Fria e calculada? Não. Quente e calada. Parei de gritar porque estou escutando o grito das palavras. Acho que elas querem me ensurdecer.


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