quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

NUANCES
* Pr. Ozíris Borges Filho

Todas as nuances são infinitas
Nuances de querer
Mãe, irmã, esposa
De saber
De ter
De ouvir
De ver
De cheirar
De saborear
E dentro
dessa
infinidade
Sou
mais
UMA!
Amor x Paixão, Paixão x Amor
*Mário Alves Pereira Neto - Advogado


Não é fácil dizer “Eu te Amo”. Mas poucos sabem o seu significado. É uma afirmativa que exprime um sentimento sublime pelo ser em questão. Pode ser o amor fraterno pelos nossos pais, filhos, amigos ou até mesmo um animal em estimação.
Mas quando fitamos os olhos de nossos amores, noivas(os) ou namoradas(os), o que queremos dizer? Qual a intensidade dessas palavras?
Inúmeros casais utilizam o “Eu te Amo” para afirmar um sentimento o qual não se explica, mas que se tem. É uma coisa que vem no âmago de seus seres e que manifesta-se pelo carinho, entrega, dedicação, abnegação, bem-querer e diversos outros sentimentos que só quem ama de verdade pode ou já sentiu.
Quem ama de verdade expressa o Amor de várias maneiras: por palavras, olhar, um toque acidental, um bilhete escrito em um pedaço de guardanapo ou até mesmo por um simples gesto. Isto sim é dizer “Eu Te Amo” com a voz da alma.
Há também o “I Love You”, digamos “genérico”, onde as pessoas crêem amar as outras, mas no fundo isso não passa de uma armadilha da paixão, aquela febre que arrebata os corações incautos, enganando-os como um estelionatário. Ao perceberem o golpe traiçoeiro da paixão, deixam de amar, com se isso fosse possível.
Vale lembrar que a paixão é um sentimento incontrolável, não permite a fusão ou coesão entre as pessoas. Ela é passageira, invade-nos de assalto, faz um grande vendaval dentro de nós e vai embora deixando cicatrizes que somente o tempo há de apagar.
. E o “amor à primeira vista”? Assemelha-se àquele amor de novela. Ele nada mais é do que um disfarce da paixão. Ele surge num instante sem ao menos enxergar alguns defeitos ou virtudes daquela pessoa, sua índole, sua moral, seus valores.
Já aquele “Amor Verdadeiro” é perene, não acaba. Chega a nós devagarzinho, com o tempo, com a convivência e tem como requisito basilar a aceitação de quem somos, como somos, com virtudes e defeitos..
Proferir “I Love You” à outra pessoa nos termos do amor romântico é uma tremenda irresponsabilidade quando não se tem a certeza de que o sentimento é realmente verdadeiro. Enunciar “Eu Te Amo” com a voz da paixão é banalizar, menosprezar e até mesmo implodir o verdadeiro amor.


*Gabriela Aráujo - 4º período de psicologia da UNIUBE

Era noite, era terça feira, o dia mais normal possível. Sem o tédio da segunda feira ou o êxtase da sexta. Mas então uma visita fez que tudo mudasse para a garota. De repente ela se viu como que caindo da montanha russa, ou uma criança arrancada do carrossel. Mas do carrossel ela caiu justamente na barraquinha de doces! E agora, o que ela escolheria, o carrossel ou a barraquinha de doces? Só podia escolher um, só podia viver um.E se viu no meio do caminho...entre a barraquinha e o carrossel só encontrou o “trem fantasma” e resolveu ficar por ali.Viveu o sofrimento do trem fantasma apenas pelo medo de escolher e depois se arrepender.Por escolher o carrossel ficaria sem o prazer dos doces, ao escolher os doces ficaria sem a diversão do carrossel.Ah, e ela era tão pequena!Tão frágil a garota, tão nova e já lhe deram uma decisão tão difícil.Ela não saberia escolher...

Por que és especial?
*Vivian Zerbinatti da Fonseca Kikuichi - 3º período

Toquei em você e te senti tão perto, já não estava tão distante quanto eu imaginava.
Olhei para você como nunca havia feito antes e te percebi tão forte, tão capaz, apesar da aparência frágil e desprotegida.
Segurei-te em minhas mãos e me senti tão fraca diante da fortaleza de teus olhos, que me olhavam com carinho, com ternura, com gratidão.
Nesse momento minhas mãos tornaram-se frágeis diante da tua grandeza, e descobri porque te chamam de especial...
Especial é o desejo de viver que vejo em teus olhos, é a melodia da esperança que ouço em tua voz.
Especial é a maneira como supera suas limitações e faz brotar as potencialidades que existem em você.
Especial é a forma como encara os desafios da vida!
Hoje já não te olho com pena, com medo, com indiferença. Hoje, não apenas te olho, mas te enxergo em toda sua essência porque assim você me ensinou.
Ensinou-me a enxergar a beleza da alma, a ouvir além do que és capaz de dizer, a entender o significado que teus gestos comprometidos conseguem transmitir.
Com você aprendi que sou responsável não apenas pelo que faço, mas também pelo que deixo de fazer.
Com você aprendi muito mais do que aceitar a diferença, aprendi a respeitá-la e a enxergar a beleza que existe em sermos diferentes!
Especial... Especial é esse sentimento que você me ajudou a descobrir: um amor paciente, benigno, que tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
Um amor que jamais se acaba.
Amor que nos torna tão especiais!

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Aprendizado da Rosa

*Pr. Giovanni de Paula Oliveira



Pessoas costumam saber desde a infância que a Terra é redonda, mas poucas conseguem sentir como os pensamentos são redondos. Tanto a Terra quanto os pensamentos são como o útero. O útero é redondo. O útero cria. O pensamento cria. A Terra cria. O útero aquece.
O útero aquece.
Percebo o útero como um cão percebe a rosa. A rosa vem do útero: o botão uterino abre-se, enchendo de beleza os prados. O homem não sabe do útero, mas este existe e está em todos os lugares. A visão que tenho do vaso solto sobre a estante faz-me lembrar do útero. Há um útero sobre minha cabeça agora. E o útero também poderá ser quadrado, depende isto da atitude de quem o sente como um útero. As máquinas também vêm do útero, nascem do pretexto de se criarem e isso ocorre a partir de um mesmo útero. O útero vê coisas.
O útero vê.
O útero sabe que há histórias que começam com dias vividos, e que outras começam com duas pessoas. Mas esta história que escrevo talvez comece com o útero somente, pois o útero é só, está sozinho no tempo, são as pessoas que o procuram. A cerâmica é queimada no útero, quente e incandescente útero de milagres que cercam a humanidade por séculos antes do primeiro útero, se é que existiu o primeiro útero. É que existir algo antes do útero é incerto. Nem o ovo. O ovo veio do útero. As palavras ditas por todos nós atravessaram o ovo, mas na verdade vieram do útero.
O útero é como vidro. Nele as coisas se quebram para depois se juntarem novamente, formando outras coisas. O vidro existe para sustentar o útero. O útero é como o ovo, só que um pouco mais completo, pois no útero há o tudo. Tudo que é. Simplesmente é, e não há explicações para isso.
Encontro-me de repente com os lugares que me têm. Tal encontro é sempre trazido por alguma (plena) sinceridade, cheio de misteriosos martírios, repletos de elementos trazidos por mim agora, porém é como se fossem de quando eu não existia. E o útero está presente, sempre. Água vinda de atitudes sensíveis, que sensibilizam meu coração cada vez que escrevo para meu interior, o mim mesmo, desfiando a alma como uma rosa desfia o tempo de si mesma, enquanto ainda concentra sua força dentro do útero. A rosa também existe para mim.
Agora vejo o útero por um outro ângulo e consigo percebê-lo como o útero, regato das águas cristalinas que leva a vida até cada grão de areia, a fonte da sabedoria terrena. Todavia essa líquida e profunda fonte consegue levar ruína aos sem-impressão, pois não foram capazes de perceber a volatilidade do útero. Eles percebem o ovo, mas não chega. O ovo é incompleto. O ovo cria, não tem, entretanto, a impressão; ele é branco. O útero não possui cor nenhuma, ele pode abrigar todas as cores ao mesmo tempo.
Sinto um oco no interior do peito cheio de receio e logo percebo que é a presença do interior do útero em meu interior. De repente sinto - e isto é correto sentir - também o amor pelo começo. O começo de quê? Não sei ainda, só sei que é o começo. Talvez seja o começo da vida que eu gostaria de ter. Não sei que começo é este. Clarice dedicou ao ovo o começo. O que sei é que o útero existe e é isso o que importa. O útero me vê e não o velo com meus olhos, pois não o vejo. Velo o útero com meu corpo. Ele possui a permissão de me ver. O útero pode ver o que lhe convier. Os outros é que não conseguem ver o útero como ele é, porque ele muda a cada momento. Acabo de dizer isso e o útero já mudou mais de cem vezes. Não se sabe como o útero é na realidade porque a realidade não existe na realidade. A realidade é apenas um reflexo, uma aparência de algo já incerto. Por isso, ver a realidade é ver o incomprovável.
O ovo se parece com o útero não na aparência, já que o útero não a tem, mas na fonte. E a fonte nasce, renasce, morre e pré-nasce. Devo esforçar-me para não deixar os pensamentos perderem a redondez de suas formas, caso contrário perderei o poder do útero. O útero vem cada vez que o chamo, e daí torno-me a abstração do dia em que fui alguém sem ser. Voltei a ser. O útero come.
O útero come.
O útero alimenta-se de tudo o que pode ser fixo e dificultoso como um instante de prazer. A avenida onde passo todos os dias precisa do útero. O útero é imenso, seu tamanho é indiscutível.
Do útero bebe-se para fazer acontecer, levando nuvens plácidas para aquém das montanhas.
Sinto o útero atrás de mim, mal viro-me e deparo-me com o nada. O útero necessita ocultar-se. Não sou eu, ele o quer. Tento retroceder para obter tudo de novo, mas não sou eu que tem a chance, é o útero que a tem. Ele quer assim.
Paro a escrita e procuro sentir o vento que entra pela janela a balançar meu rosto. Cabelos. A chuva então vem penetrar em meus ouvidos musicalmente (a chuva e os trovões também vêm do interior do útero), o útero é tudo para mim.
Diante de todo o mistério que encanta minha experiência, é o útero que cria minhas desventuras. É ele que ordena que eu pranteie. Tenho mágoas de mim, sou semelhante a mim, não posso ficar sem mim mesmo, e a culpa de eu me sentir assim é do útero. Essa é, talvez, a principal diferença entre o útero e o ovo. O ovo não pode fazer o mal porque não tem personalidade. O útero tem. O útero sabe que às vezes faz o mal, mas não é obrigação dele fazer algo para que isso não aconteça. A função do útero é criar. Criar o eu e o tu. O ovo veio para criar o imparcial, portanto o ovo cria o sem-nome. O ovo cria o que pode ser. O útero, o que é. Eu ainda não sou para mim.
Desvelo a alma cada vez que percebo o útero a rondar meu espaço. É do meu desejo conhecê-lo. Todavia, o útero é intocável. Consigo tocar o útero como toco em meus sonhos, sentindo apenas o vento da tarde invadir-me. Então escrevo. O útero vem até mim. Sinto-o.
Sentir o útero é tocar o céu com o dedo em busca das estrelas e ver a lua se extinguindo em forças de prazer para sugar da Terra a mesma sensação dada pelo útero aos humanos. O útero é a lua do mês de março. Quando conheci o ovo descobri como poderia vir a ser o útero. A Terra é como a fonte do útero.
Quando vi o céu pela primeira vez, conheci o formato provável do útero. Então, aprendi o segredo de mim. O útero passeia em torno de mim enquanto escrevo. Então escrevo mais ainda. Descobri que descobrir a existência do útero é querer escrever por toda a eternidade. Palavras dadas de presente sendo retiradas do centro exato do útero. O útero também destrói.
O útero destrói.
Quando o mundo deixa de perceber a grandeza do útero, a grandeza do espaço evapora o mundo. Mas o útero não sai do mundo onde vive. O mundo é que sai do interior do útero, carregando o pó árduo da humanidade vinda do útero. A música de todo o mundo é composta no útero. Somos todos do útero.
Engano daqueles que pensam que (e esteja certo de que a maioria pensa assim) que o útero criou o masculino e o feminino. Foi o ovo que criou o masculino e o feminino. O que o útero criou foi o masculino-feminino. Absoluto. Mas o útero também cria tristezas.
Embora o útero tenha sempre a melhor das intenções, foi ele quem criou a água bebida pelos apaixonados. Portanto, os amantes são aqueles que bebem a água vinda do útero. É o útero que ordena que as pessoas se apaixonem. Do útero vem o amor. E é por essa razão que o útero gera o Não-Ter. O útero gera o não-ter-esperança. Se soubessem da existência do útero, muitas pessoas o teriam amputado, arrancando de dentro delas o desespero. Por isso a rosa é feliz, porquanto vem do útero e não o possui.
A rosa constrói.
Da rosa vem a felicidade. A felicidade nasce de dentro da rosa que não tem sementes, pois se as tiver, não haverá nascimento. É isso, a felicidade não pode ser criada a partir de sementes. Também não pode ser criada pelo útero ou pelo ovo. A rosa sem sementes é que cria a felicidade. A felicidade é criada a cada instante e o material utilizado para sua criação é a própria visão da rosa. A rosa que é vista através das janelas.
A rosa é, por essa razão, superior ao útero e ao ovo, porque ambos criam aquilo que já está pronto. A rosa não. A rosa não cria nada; é da sua imagem que surge o quase-imperceptível-instante. A rosa faz as pessoas sentirem-se desejosas de si mesmas, mas a felicidade vinda de sua imagem só é percebida por aqueles que forem capazes de se descobrirem, não como seres humanos, mas como si mesmas.
A rosa oferece o que não possui de si. Por isso é que ela é superior ao útero e ao ovo. Da rosa vem a felicidade, não o amor. Da rosa vem a amizade. A amizade é eterna. O amor não. O amor é criação do útero.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

TRATADO UTÓPICO SOBRE A VACUIDADE DO ÓCIO
*Celso José Cirillo - 1º período

A minha filha fica estirada no tapete brincando com seu lápis de cor e, sem perceber, vai colorindo minha vida. Eu, poeta indolente, escrevo sobre a vacuidade do ócio em tempos de calmaria e suas implicações na nova ordem mundial.
Juro que não sabia do menino que ressuscitou o domingo após a fulminante parada cardíada ocasionada pela derrota do Flamengo. Só soube da menina que matou, tragicamente, a aula de literatura por alguns beijos do novo namorado.
Neste novo contexto, está claro que há mais versos entre o ócio e o factível do que possa imaginar a nossa vã poesia. Contudo, como senhor supremo de mim mesmo, outogor-me o direito de decretar um feriado universal em homenagem ao sorriso da mulher que amo.

O Universo em Nós

*
Paulo Henrique dos Santos Oliveira - 4 período de Jornalismo da UNIUBE

E se eu for mais fundo, mais fundo dentro de ti,
Não te importes, é porque tenho uma sede,
Algo incontrolável que me faz sentir, explorar,
Tocar, e pensar, e porquanto estas coisas não
Costumam se misturar, pois uma é a satisfação dos sentidos,
E a outra é o alimento da mente.
Mas sim, eu as tenho, e juntas elas me consomem,
E tendo só a mim, sinto o que já senti antes, penso,
Mas penso em coisas que eu mesmo inventei
E a paixão continua, a pantera luxuriante,
Que se apega à minha alma, até ali não usada,
Mas guardada a sete chaves para uso precioso.
Oh, alma que deveria se resguardar dos palanquetes
Da vida real, pois tu és frágil e submissa, não importa seu portador,
E quando se põe à flor da pele, tudo que recebe é mais intenso,
E os mínimos sons te constroem uma orquestra cujas notas são ambíguas
Pois te ferem e ao mesmo tempo curam, são o veneno e o antídoto!
Antídoto este que ali está mas não se faz presente
Que tu nunca sentes! Quando és de homem comum
Que passa a vida enriquecendo as almas, mas não a sua,
A de outros.
Ah, pois veja, me esqueço!
A prolixidade não me é uma estranha, por muitas vezes,
Eu vi sua luz e dela me aproximo
Leniente, aberto, ou até mesmo ressabiado.
Mas dela minh’alma se aproveita.
E se liberta, engasga àqueles que não a querem ver!
Alma nobre a minha, pois vejo-a mais nos transeuntes
Nos boêmios, nos loucos e naqueles que se entregam ao viver,
Vejo a mim neles, bem mais do que em mim mesmo.
E não perco a mim mesmo, pois aprendo com todos,
Eu guardo as chaves da sabedoria insana
Eu sou, e tu és, e todos somos, um do mesmo, muitos que se juntam,
E que nisto vêem sua mesma essência, que é natural.
Eu sou o arauto dos deuses antigos, que entre nós viveram,
E deixaram-se aqui, um pouco, e ali,
Mais um pouco, e formaram a tudo. Inclusive a ti.
Então compreenda minha sede de ver, de saber, de tocar,
Saiba que eu sei que um dos deuses se encontra em ti, e anseio por vê-lo
Admirá-lo nos ternos momentos caseiros, lidando com coisas que não são seu reino,
Vendo-o achar seus pares em mim, e em todos, e em apenas uma coisa...
O céu, que nos oculta as verdades eternas, para lá olhemos,
Pois eu sou, nós somos, e assim reconhecemos,
Pois é na névoa das galáxias que o nosso futuro se esconde
Onde recôncavos de nada, assim como os amantes,
Refletem seu brilho em nossos olhos cintilantes.

O que Lobato diria?
*
Vivian Zerbinatti da Fonseca Kikuichi - 3º período


“Um país se faz com homens e livros”, certamente, se Monteiro Lobato tivesse conhecido nossa biblioteca, essa frase seria escrita diferente: Um país se faz com homens e livros quando os temos! Estamos vivendo um momento ímpar na história da nossa Universidade, a transformação da antiga Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro em Universidade Federal do Triângulo Mineiro.
A abertura de cursos como Fisioterapia, Nutrição, Terapia Ocupacional e Letras trouxe à Universidade nova vida e novos problemas.
“Bixos” invadiram as salas de aula (espaços improvisados), cheios de expectativas, vontades, desejos, sonhos, mas o dia-a-dia os trouxe de volta à realidade.
O mais engraçado, se é que existe algo engraçado, é o fato de precisarmos lutar contra o comportamento “monopolizante” dos cursos da área da saúde. Com certeza, levará um bom tempo para que essa velha mentalidade de uma educação tradicional, voltada para a área médica, deixe de existir em nossa jovem universidade.
Acho que aquela conhecida frase: “É preciso dar tempo ao tempo” se encaixa com perfeição na atual situação em que vivemos.
Se queremos o sucesso, ele deve acontecer na coletividade; uma relação harmoniosa entre os cursos se constrói progressivamente, novas instalações exigem investimento financeiro e paciência, muita paciência; uma biblioteca do futuro começa com ações no presente!
Então, mãos à obra, e completando a frase de Lobato: Um país se faz com homens, livros e ação!

Sentimental verdade
* Débora de Souza Bonato - 2º período

Sentimentalismo
Sente e mente
Mente o que sente
Sente sua mente!
O ismo...

Verdade
Verde idade
Esperança madura
Espera imatura
Saudade

Sentimental de verdade
Mentir e ver
Metade
Idade mental
Ver (se) da de imortal
...e morre.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Mente (in)sana
*Tiago Resende - 2º período

Amoníaco, enxofre, etricnina
Câncer, AIDS, lepra, anemia
Putrefação, escoriação, sangria

Faca corta a mente
Perfura inconciente
O fruto que não pertence

Vômito negro pendente
Putrefação espiritual
Seqüelas - mente

Mente a alma
Mente o corpo
E no fim...

Apenas resta
O desconforto.
Longe de Casa
*Bruna Bernabei - 1º período

Me leva...Jura que me leva pra bem longe...
Para um lugar meio tudo,meio nada...
Um lugarzinho todo nosso,onde terei seus braços e abraços egoístamente para mim...
E quando chegarmos neste lugar,bem no fim do arco-íris...Promete que me ama!
Porém,ama-me baixinho,pois como disse o poeta " A VIDA É BREVE E O AMOR MAIS BREVE AINDA"

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Por mim
*Gabriela Aráujo - 4º período de psicologia da UNIUBE


O dia amanheceu sombrio, frio e depressivo. E só ela o entendia, pois aquilo vivia dentro dela, constantemente. Já se acostumara à terrível dor de ser ela mesma, e desse “ser” não carregar nada consigo. Era simplesmente ela, nua e crua. E nada podia carregar, nem um amor, nem um sentimento, nem uma palavra. Vivia num mundo só dela, onde só entrava quem ela queria ou deixava mas... vez ou outra ela se enganava e às pessoas erradas dava a chave do seu coração, o passaporte para o seu mundo.Era nessas horas que se instalava a balburdia.As pessoas erradas tomavam o controle, faziam palhaçada com o coração da garota e confusão na sua cabeça;Queriam convencê-la à ir pra outro mundo, pra fora do seu... e ela então, nesta hora já em completa alucinação, saía da paz quase morta (mórbida?) do seu mundo para arriscar-se, avançar sobre o desconhecido.Logo adiante se arrependeria, ela sabia disso, mas não podia mais voltar ao seu mundo...fora picada pelo bichinho da loucura.Pra sempre.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Lembrete: Esqueça!
*Debora Carolina de Souza Bonato 2º periodo

Hoje parei pra lembrar, do dia que te conheci. Olhava para você e enxergava algo que ia além daquilo que os meus olhos podiam ver. Era um outro mundo,uma realidade meio fora do real. Ainda me lembro da primeira vez que meus olhos viram os seus, acontecia naquele momento uma sensação que se repete cada vez que o vejo, como se fosse aquela primeira vez. Ainda sinto o cheiro daquele dia. Meus olhos ainda vêem o lugar, ainda escuto a música que tocava, escuto a música em uma outra freqüência, pois ouço a música tocada dentro de mim. Estou neste momento naquele lugar do passado, revendo tudo o que aconteceu. Quando vi o seu sorriso, perdi o chão, parece que tudo de bom que eu havia visto até aquele instante, eram resumidas naquele sorriso, esse mesmo tinha uma pureza que me enche de forças cada vez que lembro dele. Meu mundo era vazio, cheio de incertezas, mas quando vi você, parecia que era uma resposta pras minhas perguntas, era o preenchimento do meu vazio. Quando ouvi sua voz, todos os sons, até aquelas melodias mais doces, se tornaram vazios, porque os sons da sua voz era a mais bela música que meus ouvidos puderam ouvir. Mas nada se compara com aquele abraço... Ainda sinto os seus braços entrelaçando os meus, deixando que os nossos corações pulsassem no mesmo ritmo. Ainda sinto o seu perfume. Ainda sinto suas mãos nas minhas. Ainda vejo você como se fosse aquela primeira vez. Cada vez que meu olhar cruzava com o seu, e aquela realidade tão perto e tão distante de mim, fazia mergulhar num universo de sensações, onde passavam grandes sonhos, naqueles poucos segundos que duravam esses momentos, era uma viagem num território ainda inabitável, ainda inacessível. Ainda me lembro de não ver mais você, de te procurar em cada rosto, de te enchergar em cada canto, ainda me lembro de não lembrar mais nada, de achar tudo estranho. Ainda sinto o que senti da última vez que te abracei, ainda sinto o toque das suas mãos no meu braço, ainda sinto a angústia que senti quando olhei nos seus olhos. Percebi que alguma coisa ia acontecer, senti que alguma coisa acontecia. Ainda vejo o lugar que tudo aconteceu... O mesmo lugar onde tudo começou a acontecer. Ainda consigo me lembrar de tudo o que não consigo esquecer...
Quem é ela?
*Vivian Zerbinatti Da Fonseca Kikuichi - 3º período

Quem é ela?
Que passa com graça na praça
Olhar tão distante, pensante,
Mochila de lado, à pé,
Nas mãos, um punhado de sonho e de fé.

Que é ela?
Sorriso maroto inocente,
Olhar carinhoso, envolvente,
Menina, mulher, cidadã
Na busca de um novo amanhã.

Que é ela?
Nas longas madeixas, beleza,
Na vida trabalho, certeza
Que a luta não vai ser em vão,
Respeito, autonomia, liberdade, democracia,
Princípios de um cidadão.

Quem é ela?
Que crê, luta, defende.
Acredita na transformação,
Conhece os limites e entende...
O caminho é a educação.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Metamorfose da alma
Rayanne Finholdt - 2º Período

Estou em coma profundo
E posso sentir o meu corpo respirar.
Minhas mãos são como luvas frias
E minhas pernas não me obedecem mais.

Vi-a de perto no meu quarto,
Ela esteve aqui e sussurrou...
Eu pude sentir a sua presença
E quando abri os meus olhos
Eles já não me pertenciam mais.

Dê-me a graça, venha logo me buscar.
Dê-me a graça, venha logo me levar.
Dê-me a graça, venha logo me apanhar.
Eu não vou resistir, venha logo.

Conduza-me.
Transporte-me brevemente até a luz.
Num instante de sublimação,
Num segundo,
Vejo os flashs passageiros em minha mente
E eles me levam até você...
Relembrando-me do passado com alívio

Eu vi um túnel e ele me levava até a luz
Eu vi um anjo e ele se parecia com você
Dizendo-me o caminho correto a seguir, guiando-me.
Mostrando-me a estrada do adeus

Vejo um campo verde, há crianças brincando,
Elas estão cristalinas como eu...
Elas riem e dançam com alegria.
Elas correm e deitam na grama úmida.
Elas olham pro céu como se quisessem alcançá-lo,
Elas não sabem que o céu é aqui...

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Sem definição

*Marília Martins Ferreira - 3º período


Ouço as palavras gritarem meu nome. Um nome qualquer que não é o meu de certidão ou de batismo. Grito calmo. Grito forte. Ruído alto que sussurra ao pé do ouvido pedindo socorro. O mundo do ainda – não – dito as incomoda assim como incomoda-me o mundo do não-escrito, não-falado, não-feito.
Ainda as estou escutando gritar e esse som esta me ensurdecendo. Não consigo saber o que elas querem, mas deixo que elas me usem. Usem e depois me devolvam ao mundo do ensurdecimento.
Não quero ser surda!Vou fazer um coral com as moradoras do dicionário. Enquanto elas gritam suas definições frias e calculadas eu grito a minha definição.
Como me defino? Como palavra. Aquela que grita pedindo socorro. O mundo sem definição e as coisas cheias de sentidos sem sentidos me incomoda. Incomoda-me ser palavra.
Parei de gritar. Não posso mais porque ainda não achei uma definição. Fria e calculada? Não. Quente e calada. Parei de gritar porque estou escutando o grito das palavras. Acho que elas querem me ensurdecer.


segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Futura Canção do Exílio

*Vivian Zerbinatti Da Fonseca Kikuichi - 3º período

Minha terra tinha palmeiras
Onde gorjeava o sabiá,
Hoje as aves que existem
Já não sabem gorjear.

No céu havia estrelas
Que hoje não podem brilhar,
Nas várzeas as flores secaram
E não podem perfumar.

Em cismar, sozinho, à noite
Solidão encontro eu cá,
Não consigo ver palmeiras
Muito menos sabiá.

Onde estão os primores de minha terra?
Não consigo encontrar.
Não desfruto das belezas
Que antes podia desfrutar.

Não permita Deus que tudo morra
E que eu precise procurar
Em livros ou revistas
A palmeira e o sabiá.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Felicidade


*Vanessa Cristina da Fonseca - I período


O meu coração chora e ri, nem mesmo sei o que quero,
Achei que a felicidade havia chegado aqui, mas ainda espero...
Quando uma porta se fecha, outra se abre?
Será que destino é algo traçado e certeiro?
O coração insiste em bater, insiste em sofrer, insiste em sorrir!
Melhor viver de poucas alegrias em meu mundo pequeno,
Melhor dormir sob o luar e abraçar o travesseiro.
Estava tudo certo, na desordem do meu dia-a-dia
Cada coisa tinha seu lugar, apenas sonhar não podia,
Mas sonho é ilusão, é falsidade, é fantasia...
Sinceramente são coisas de não necessito
Eternamente ficarei aqui na cama fria e vazia
Mas com todas as coisas em seu lugar
E com meu coração a bater sem sonhar
Abraçando o travesseiro e feliz...
Pois felicidade não se ganha ou conquista, se constrói
Se acredita e se vive, mesmo sem amar!

domingo, 14 de outubro de 2007

Era uma vez...

*Irma Beatriz Araújo Kappel - Pra. Dra. do Curso de Letras

Como toda história de fantasia, encantos e desencantos, esta também se inicia assim...
Era uma vez... a história de um simples trabalhador. Para surpresa de muitos, não é a de príncipes nem de princesas; nem de personagens pobres ou feios que se transformaram em ricos e belos, mas simplesmente a história de um trabalhador entre tantos outros desconhecidos de nossas histórias.
Uma característica especial havia nesse trabalhador: todos o conheciam e usufruíam de seu trabalho para que pudessem construir seus próprios caminhos. E isso o deixava feliz.
Começou sua carreira entusiasmado e otimista porque havia um mundo a ser desvendado e construído. Os anos se passaram e, com eles, os sonhos se transformaram com a dura realidade que se apresentava: os recursos no trabalho eram escassos; por falta de tempo, passou a ser isolado; seus “clientes” – nome dado pela importada Qualidade Total – já não vinham por causa de seu trabalho, mas pelo que lhes era oferecido como refeição; os governantes, percebendo que o local de atuação deste trabalhador era excelente para resolver outros problemas sociais, aproveitaram para vacinar, tratar os dentes, fazer campanhas, inclusive políticas; seu salário mal dava para comer, vestir e morar, que dirá para comprar revistas, jornais, livros, participar de cursos pelos quais tinha grande interesse, mas não tinha tempo nem dinheiro; e o mais grave de tudo: qualquer um era considerado capaz para substituí-lo, mesmo que não tivesse vocação, formação ou habilitação para tal.
Com tudo isso, ele foi se acabando. Mataram sua identidade: perdeu braços, pés, tronco, cabeça... menos o coração que, mesmo sozinho, batia, pulsava tão forte que conseguiu sobreviver. A força desse coração, unido a outros corações, fê-lo sobreviver, lutar e intervir na construção dessa história mal contada, reconstruindo-a de forma diferente.
Sempre será hora de resgatar o respeito, as adequadas condições de trabalho, o tempo para estudo e pesquisa, o salário merecido, o trabalho em conjunto. Dessa forma, estaremos reconstruindo esse profissional que tentaram extinguir: o professor.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

História de vida

Durante toda minha vida ele tem me acompanhado. Ele, o medo. Na infância, na adolescência e também agora no inicio da vida adulta. Sem tréguas ou intervalos consideráveis, sua presença sempre foi marcante.
Quando eu era pequenina era mais fácil lidar com ele. Afinal, quando se é criança, não há futuro ou passado, a vida é só o presente, o agora. O medo do escuro, de tirar foto, de altura ou cão raivoso era facilmente amansado por um forte agarro na barra da saia de minha mãe.
Já na adolescência a saia perdeu o sentido. Tudo o que eu mais queria era me livrar dela e poder me agarrar às minhas próprias concepções. Nessa fase o futuro e o passado fazem já muitos danos e passam a ser grandes medos. “Qual carreira seguir?”, “Em quem confiar?”, “Namorar ou não?”. As escolhas começam e o medo de errar é de tirar o sono, entretanto as conseqüências ainda são tímidas.
Hoje perco o sono verdadeiramente. As conseqüências das minhas escolhas são sofridas por mim e isso me faz tremer de medo. O futuro, hoje bem mais pesado que o passado, faz as pernas bambearem. São grandes responsabilidades e maiores os riscos. Um erro, quando adulto, te faz crescer, porém pode ser irreparável.
Crescer. Percebo que esse verbo foi sempre acompanhado do temer. A minha história de vida, e creio que todas as histórias de vida, foram marcadas pelo medo, mais sei que esse contribuiu para o crescimento.
Não sei como será a fase idosa, mas sei que sentirei medo. Medo de morrer, de deixar quem eu amo, de ter errado demais ou de ter sentido muito medo. E ao pensar nisso, penso no fim e lembro de Drummond : “ Cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte, depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas”.


Marília Martins Ferreira - 3º período

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Aula de português

*Ozíris Borges Filho - Pr. Dr. do Curso de Letras

Rel(a)ção...
Cheia de colocações pronominais corretas
Sujeitos simples e objetos diretos
Procuramos, vezes, os complementos
Ora os encontramos
Ora estranhamos

Alternativas...

Então, vírgulas e reticências cresceram
Também as adversativas e concessivas...
D repente, a conclusão próxima
Nosso texto ficou incoerente
Chegou nosso poente
E uma dor mais q dor d dente

Oz.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Menina dos pé descalços

*Bruna Bernabei - 1º período

Cabelos esvoaçantes que traduzem o mais cândido sabor da liberdade. Menina dos pés descalços com seu vestido solto na altura dos joelhos, anda entre as flores pisando na terra pura da cor de seus castanhos olhos. Em meio a um espaço pastoril embriaga-se com o perfume da natureza e distrai-se com o cantarolar dos pássaros. Menina que cheira à rosa e reluz candura... Senta-se embaixo da árvore epõe-se a sonhar. Sonha com o agora e se desperta em meio a devaneios. Sorri para o sol como se sorrisse para seu mais fiel amigo. Deixa que o vento a toque como se fosse seu mais ardente amante. A menina com os pés no chão fecha os olhos e vai em busca da paz derradeira,intimamente contida em seu coração.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Coração

*Luiz Ambrósio - 1º período

Ó coração, bem que eu tento
Livrar-te deste desalento
Mas não é tarefa pra uma só vida
O tempo todo esta pulsando
Ora percebo que está só sangrando
A cada mágoa, uma batida

Ó coração, eu sei que sente
Uma tristeza revoltada
Uma distante, lembrança amargurada
Um bate bate descontente

Ó coração vê se me escuta
Desiste logo desta luta
E se entrega de uma vez ao tédio
De que adianta se enganar
Assume logo teu novo lar
Na rua da Saudade, na altura cemitério

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Anular o Humano

*Tiago Resende Rodrigues - 2º período



sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Alguém arrisca um lance?


* Marília Martins Ferreira - 3º período


Vinte e seis de abril de mil novecentos e oitenta e oito. Chego ao mundo. Não me perguntaram se eu queria nascer. Não me explicaram porque vim ou para onde vou. Então, minhas pernas caminham sem saber chegar, e quando não se sabe, qualquer lugar serve.
“É uma infâmia nascer pra morrer”, concordo com Clarice Lispector. “Não deveríamos nos acostumar com a frouxidão dos abraços...”, descordo de Marina Colassanti. A prova de que aquela está certa me arrebata todos os dias, e o cotidiano me mostra que essa ainda acredita em utopias.
Já fui utópica. Sonhei com príncipe encantado, desejei ser mãe, hoje, caminho. Com meus relacionamentos aprendi, sem querer, que “o pra sempre, sempre acaba” como dizia Cássia Eller, e que o ser humano é egoísta em sua essência. A exemplo de Brás Cubas “não quero transmitir a nenhuma criatura o legado da minha miséria”.
Incorporei ao meu viver, depois de esperar inutilmente reprises de bons momentos, o desejo de que “seja infinito enquanto dure”. Existem oportunidades, desejos, palavras, beijos e sensações que só acontecem uma vez na vida. Infelizmente demorei dezoito anos para descobrir isso.
Ainda culpo meus pais por tudo apesar de Renato Russo ter dito que isso é absurdo. Entretanto, consigo compreender, sacrificadamente, que eles sofrem e que são crianças como eu, mas não me comovo e nem sofro com isso.
Causa-me sofrimento saber que amizades verdadeiras só encontrei nos meus irmãos. Descoberta essa que acompanhou a saudade. Quando me conscientizei disso, eles já não estavam mais debaixo do mesmo teto que eu e a saudade misturada à ausência me dói.
Sinto saudades também das cachoeiras em que não me banhei, dos lugares que não visitei, das bocas que não beijei, dos abraços que nunca ganhei. Mas a saudade mais sentida á dos sonhos que abandonei.
Ainda não deixei a falta de esperança, o pessimismo, a saudade e a minha revolta dita sem causa.
Meu coração tento leiloar para alguém que me traga de volta. Preciso do retorno dos meus sonhos, do meu espírito renovador e da crença no amor.

Alguém arrisca um lance?


terça-feira, 25 de setembro de 2007

Viver

*Debora Braga Bezerra - 3º período

Respirar
Encantar-se. Passar
Um sopro, é.
Emoção e não - emoção,
Razão, não - razão.
Inquieta a
idéia

Roda
Cabeça e os
Pés acordam
O corpo ressurreto
A córdia
A dança do...
Razão, ou não.

Córdia - bamba

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Des-cobrindo


*Antônio Leonardo Xenofonte – 1º período


Eu também nasci há uns 10 mil anos antes de hoje, assim como o p(r)o(f)eta Raul do Apocalipse. Mas não sei muita coisa não; to só começando!
Aprendi que o que vale mesmo na vida não custa caro nem está muito longe, está ao alcance do coração e se paga com carinho! Descobri que ser feliz é uma opção que todos temos, sem exceção.
Aprendi também que não importa o quão errado ou mal algo está, no final tudo dá certo e se não deu, é porque ainda não é o final. Descobri que nunca terei o que quero, mas não há de me faltar aquilo que preciso. Não vi o amor nascer, mas duvido que tenha sido assassinado, afinal, como disse um tal CHE, não se pode deter a primavera.
Não sou filósofo, mas descobri vários filosóficos sentidos para a vida. Sei que as respostas que procuramos estão ai, basta que façamos as perguntas certas a certas pessoas. E todo carnaval tem seu fim, mas todo ano tem de novo. Descobri que não se faz mais rock como antigamente, que samba hoje virou pagode e que a música da terra hoje virou da grana.
Aprendi que não existe verdade absoluta, e sim versões. Descobri que sou apenas mais um, um a mais e que toda revolução começa com apenas um; e depois vários mais.
Aprendi que dinheiro faz bem ao mal, e que, bom ou mal, precisamos dele. Só peço que ele não seja o objetivo e sim a conseqüência (coisas da tal filosofia de vida). Não traz felicidade, mas te ajuda a ser tristinho seja lá aonde.
Aprendi e vou continuar aprendendo, será meu único tesouro.
Aprendi que no exato momento em que morremos, perdemos 21 gramas - dizem ser o peso da alma. Descobri que o coração bate determinadas vezes durante a vida e que cabe a nós aproveitar cada uma dessas batidas ao máximo; a vida não foi ontem, nem será amanhã e "o tempo não pára", de acordo com um certo rapaz. E passa rápido de acordo com minha avó! Basta um piscar de olhos e lá se vai a eternidade de um segundo! Então, vivam, vejam o copo sempre meio cheio, bebam dessa fonte enquanto puderem, pois no final só temos duas certezas: estamos vivos agora e um dia iremos morrer. Tudo que acontecer entre estes dois eventos nos pertence, e a ninguém mais! Aprendi que ser eu mesmo sempre não significa ser sempre o mesmo eu. Aprendi a militar por minhas causas e ser porta-voz de mim mesmo, lutar pelo que quero, mesmo que não vença!
Aprendi a aprender, descobri e depois esqueci como me arrepender.
Aprendi também a agradecer mais do que pedir, a ouvir mais que dizer (ainda estou trabalhando nessa parte) e a dizer a verdade, seja ela qual for.
Aprendi e espero continuar aprendendo. E depois de aprender tanto, descobri que falta muito ainda! Ainda bem que não aprendi a desistir!

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Poema das Cores
*Abimael Luiz de Souza - 1° período


Tudo parecia estar azul
Azul como mar
Azul como céu
Buscava nas entranhas da alma
O branco da calma
Mas aquela notícia
Naquele instante
Fez tudo acabar
O branco acinzentou-se
O azul ofuscou-se
Meu rosto empalideceu
Agora tento viver
Sob as tristes lágrimas escuras
Da face de quem perdeu.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Sexta-Feira

*Celso José Cirilo - 1º período

Decididamente a suavidade e a ternura desta música não coadunam com os ares agitado e barulhento desta sexta-feira. A cidade prepara suas baladas ao som frenético de ronco de motores e buzinas malucas. Desrespeito total àqueles que, como eu, anseiam o silêncio como pano de fundo das suas canções.
Apesar de tudo, a música inunda o quarto, a mente, a lembrança... Percebo, entre sons de saxofone, que esta sua foto combina mais com o tom enigmático da tarde - noite de inverno do que propriamente com a música que envolve o meu mundo. O seu sorriso é o mesmo de sempre e seu olhar (esse que costumo roubar às vezes) tem um quê de mistério. Está todo o tempo triste e revela uma ânsia contida de viver novos mundos, de respirar fórmulas mais profundas de vida. Sempre me perco entre o que me mostra o seu sorriso e o que leio no seu olhar. São tão antagônicos! De concreto, a sua beleza; essa mescla de boa forma e sensualidade exposta.
Quando acaba a música, fica a certeza de que tudo muda, passa, transforma, acaba.
Deveríamos crescer rumo ao infinito para que, pelo menos, tentássemos entender o mecanismo que regula a transitoriedade das coisas. Quem sabe aprendêssemos a cultivar a sintonia implícita na troca de olhares, mesmo porque, como diz a canção; nada restará na corrente do tempo, senão o coração.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Lembranças

*Carlos Gustavo Garcia

Do que será que se trata, na verdade, quando se conversa sobre lembranças?Segundo os tais neurocientistas e afins, o presente nem mesmo existe, porque o que o corpo consegue entender como presente já é passado - microsegundos de tempo passado, mas já é passado. Tem gente que ainda diz que nem as lembranças mesmo existem, é só reprodução má e porcamente fiel ao caso acontecido que o nosso cérebro registra, porque grava só o que estamos focados no momento, muitas vezes, e não as coisas ao redor.Isso, na verdade, me veio à cabeça quando lembrei do aniversário de um amigo de infância que hoje chega aos dezoito anos. Encontrei o rapaz na sua casa e acompanhado da mãe, assim como eu, que fui até lá com a minha. Em certo tempo, ele teve que sair e ficamos as três figuras restantes na sala, com as duas progenitoras lembrando como, quando pequenos, eu e ele brigávamos, competíamos, mas nunca deixamos a amizade de lado.Não sei bem qual é a primeira lembrança minha e só minha que tenho da infância, porque as histórias que me contam já se incorporaram na minha mente e as reminiscências ficam como mesclas de fatos contados e fatos vividos de verdade. Por exemplo, em relação a esse camarada das antigas, diz minha mãe que ele sempre queria ser o mais velho dos dois, mas era nove meses mais novo e se achava inferior por causa disso. Diz ela que até hoje é um pouco assim, mas eu mesmo nunca liguei muito. Sobre isso, lembro de uma discussão feia que tivemos por causa da pronúncia certa de "orelha", enquanto eu teimava que era de um jeito e ele insistia que era de outro; logicamente, nenhum dos dois estava certo, no final das contas.O mais impressionante é como os cheiros ficam retidos no meio do emaranhado neuronal. Na primeira infância, andar 200m de carro pra mim era uma tortura, pois me sentia enjoado todo o trajeto. Para acalmar esse efeito, minha mãe me fazia engolir umas gotinhas de Dramin, que deve ter sido o gosto mais horrível da infância de muita gente também. O cheiro do remédio, até hoje, me causa nojo. O gosto também, claro, mas como o cheiro vem antes do gosto, no sentir, foi ele quem mais marcou.Falo aqui das primeiras lembranças porque elas são as mais complicadas de serem distinguidas entre vividas ou contadas pra nós. Claro que as acontecidas em idades mais avançadas são mais fáceis de separar, mas mesmo assim algumas teimam em dar a mão a outras para misturar as visões do vivente e do observador. Se alguém tiver uma lembrança de antes dos três anos de idade-se não me engano, essa é a idade em que os bebês começam a guardar suas memórias-, pode se considerar co sorte. Primeiro porre, primeira desilusão maior, várias cenas se engavetam na cabeça pra todo mundo montar o mosaico mental da nossa vida.

*Carlos Gustavo é aluno do 3º periodo de Biomedicina, colaborador e diagramador do Blog Acadêmico - Assim Se Faz em Letras

domingo, 2 de setembro de 2007

Participar é Preciso! Ser é estar!

*Ozíris Borges Filho

Com o objetivo de dinamizar ainda mais o Curso de Letras da UFTM, surge este Blog. Espaço moderno para alunos e professores modernos, atuantes. Trata-se de mais um espaço criativo para manifestações criativas de alunos/professores criativos. Haja cri(a)tividade! Mas é isso aí. Para aqueles que querem mais, exigem mais, fazem mais. Apesar dos outros, apesar da vida, apesar de si mesmos. Apesar o que vale e o que não vale, independente da alma pequena. Aliás, de resto, qual não o é?Vale qualquer tipo de texto, desde que haja uma mensagem que prenda, atenta, a lenda...Assim, enviamos nosso sinal de fumaça para que todos participem, pois como disseram os quatro apóstolos da humanidade: David, Roger, Nick e Richard: “Together we stand / Divided we fall”.E o resto, como se sabe, é silêncio!
Zirão, sangue bão!

*Ozíris é Prof. Dr. do Curso de Letras da UFTM, e Orientador do Blog Acadêmico - Assim Se Faz em Letras