História de vida
Durante toda minha vida ele tem me acompanhado. Ele, o medo. Na infância, na adolescência e também agora no inicio da vida adulta. Sem tréguas ou intervalos consideráveis, sua presença sempre foi marcante.
Quando eu era pequenina era mais fácil lidar com ele. Afinal, quando se é criança, não há futuro ou passado, a vida é só o presente, o agora. O medo do escuro, de tirar foto, de altura ou cão raivoso era facilmente amansado por um forte agarro na barra da saia de minha mãe.
Já na adolescência a saia perdeu o sentido. Tudo o que eu mais queria era me livrar dela e poder me agarrar às minhas próprias concepções. Nessa fase o futuro e o passado fazem já muitos danos e passam a ser grandes medos. “Qual carreira seguir?”, “Em quem confiar?”, “Namorar ou não?”. As escolhas começam e o medo de errar é de tirar o sono, entretanto as conseqüências ainda são tímidas.
Hoje perco o sono verdadeiramente. As conseqüências das minhas escolhas são sofridas por mim e isso me faz tremer de medo. O futuro, hoje bem mais pesado que o passado, faz as pernas bambearem. São grandes responsabilidades e maiores os riscos. Um erro, quando adulto, te faz crescer, porém pode ser irreparável.
Crescer. Percebo que esse verbo foi sempre acompanhado do temer. A minha história de vida, e creio que todas as histórias de vida, foram marcadas pelo medo, mais sei que esse contribuiu para o crescimento.
Não sei como será a fase idosa, mas sei que sentirei medo. Medo de morrer, de deixar quem eu amo, de ter errado demais ou de ter sentido muito medo. E ao pensar nisso, penso no fim e lembro de Drummond : “ Cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte, depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas”.
Marília Martins Ferreira - 3º período
Nenhum comentário:
Postar um comentário