Alguém arrisca um lance?
* Marília Martins Ferreira - 3º período
Vinte e seis de abril de mil novecentos e oitenta e oito. Chego ao mundo. Não me perguntaram se eu queria nascer. Não me explicaram porque vim ou para onde vou. Então, minhas pernas caminham sem saber chegar, e quando não se sabe, qualquer lugar serve.
“É uma infâmia nascer pra morrer”, concordo com Clarice Lispector. “Não deveríamos nos acostumar com a frouxidão dos abraços...”, descordo de Marina Colassanti. A prova de que aquela está certa me arrebata todos os dias, e o cotidiano me mostra que essa ainda acredita em utopias.
Já fui utópica. Sonhei com príncipe encantado, desejei ser mãe, hoje, caminho. Com meus relacionamentos aprendi, sem querer, que “o pra sempre, sempre acaba” como dizia Cássia Eller, e que o ser humano é egoísta em sua essência. A exemplo de Brás Cubas “não quero transmitir a nenhuma criatura o legado da minha miséria”.
Incorporei ao meu viver, depois de esperar inutilmente reprises de bons momentos, o desejo de que “seja infinito enquanto dure”. Existem oportunidades, desejos, palavras, beijos e sensações que só acontecem uma vez na vida. Infelizmente demorei dezoito anos para descobrir isso.
Ainda culpo meus pais por tudo apesar de Renato Russo ter dito que isso é absurdo. Entretanto, consigo compreender, sacrificadamente, que eles sofrem e que são crianças como eu, mas não me comovo e nem sofro com isso.
Causa-me sofrimento saber que amizades verdadeiras só encontrei nos meus irmãos. Descoberta essa que acompanhou a saudade. Quando me conscientizei disso, eles já não estavam mais debaixo do mesmo teto que eu e a saudade misturada à ausência me dói.
Sinto saudades também das cachoeiras em que não me banhei, dos lugares que não visitei, das bocas que não beijei, dos abraços que nunca ganhei. Mas a saudade mais sentida á dos sonhos que abandonei.
Ainda não deixei a falta de esperança, o pessimismo, a saudade e a minha revolta dita sem causa.
Meu coração tento leiloar para alguém que me traga de volta. Preciso do retorno dos meus sonhos, do meu espírito renovador e da crença no amor.
“É uma infâmia nascer pra morrer”, concordo com Clarice Lispector. “Não deveríamos nos acostumar com a frouxidão dos abraços...”, descordo de Marina Colassanti. A prova de que aquela está certa me arrebata todos os dias, e o cotidiano me mostra que essa ainda acredita em utopias.
Já fui utópica. Sonhei com príncipe encantado, desejei ser mãe, hoje, caminho. Com meus relacionamentos aprendi, sem querer, que “o pra sempre, sempre acaba” como dizia Cássia Eller, e que o ser humano é egoísta em sua essência. A exemplo de Brás Cubas “não quero transmitir a nenhuma criatura o legado da minha miséria”.
Incorporei ao meu viver, depois de esperar inutilmente reprises de bons momentos, o desejo de que “seja infinito enquanto dure”. Existem oportunidades, desejos, palavras, beijos e sensações que só acontecem uma vez na vida. Infelizmente demorei dezoito anos para descobrir isso.
Ainda culpo meus pais por tudo apesar de Renato Russo ter dito que isso é absurdo. Entretanto, consigo compreender, sacrificadamente, que eles sofrem e que são crianças como eu, mas não me comovo e nem sofro com isso.
Causa-me sofrimento saber que amizades verdadeiras só encontrei nos meus irmãos. Descoberta essa que acompanhou a saudade. Quando me conscientizei disso, eles já não estavam mais debaixo do mesmo teto que eu e a saudade misturada à ausência me dói.
Sinto saudades também das cachoeiras em que não me banhei, dos lugares que não visitei, das bocas que não beijei, dos abraços que nunca ganhei. Mas a saudade mais sentida á dos sonhos que abandonei.
Ainda não deixei a falta de esperança, o pessimismo, a saudade e a minha revolta dita sem causa.
Meu coração tento leiloar para alguém que me traga de volta. Preciso do retorno dos meus sonhos, do meu espírito renovador e da crença no amor.
Alguém arrisca um lance?