Era uma vez...
*Irma Beatriz Araújo Kappel - Pra. Dra. do Curso de Letras
Como toda história de fantasia, encantos e desencantos, esta também se inicia assim...
Era uma vez... a história de um simples trabalhador. Para surpresa de muitos, não é a de príncipes nem de princesas; nem de personagens pobres ou feios que se transformaram em ricos e belos, mas simplesmente a história de um trabalhador entre tantos outros desconhecidos de nossas histórias.
Uma característica especial havia nesse trabalhador: todos o conheciam e usufruíam de seu trabalho para que pudessem construir seus próprios caminhos. E isso o deixava feliz.
Começou sua carreira entusiasmado e otimista porque havia um mundo a ser desvendado e construído. Os anos se passaram e, com eles, os sonhos se transformaram com a dura realidade que se apresentava: os recursos no trabalho eram escassos; por falta de tempo, passou a ser isolado; seus “clientes” – nome dado pela importada Qualidade Total – já não vinham por causa de seu trabalho, mas pelo que lhes era oferecido como refeição; os governantes, percebendo que o local de atuação deste trabalhador era excelente para resolver outros problemas sociais, aproveitaram para vacinar, tratar os dentes, fazer campanhas, inclusive políticas; seu salário mal dava para comer, vestir e morar, que dirá para comprar revistas, jornais, livros, participar de cursos pelos quais tinha grande interesse, mas não tinha tempo nem dinheiro; e o mais grave de tudo: qualquer um era considerado capaz para substituí-lo, mesmo que não tivesse vocação, formação ou habilitação para tal.
Com tudo isso, ele foi se acabando. Mataram sua identidade: perdeu braços, pés, tronco, cabeça... menos o coração que, mesmo sozinho, batia, pulsava tão forte que conseguiu sobreviver. A força desse coração, unido a outros corações, fê-lo sobreviver, lutar e intervir na construção dessa história mal contada, reconstruindo-a de forma diferente.
Sempre será hora de resgatar o respeito, as adequadas condições de trabalho, o tempo para estudo e pesquisa, o salário merecido, o trabalho em conjunto. Dessa forma, estaremos reconstruindo esse profissional que tentaram extinguir: o professor.
3 comentários:
Enquanto acreditarmos que somos libertadores de almas e arquitetos de sonhos seremos imortais, pois, nosso exemplo permanecerá. Como diria Rubem Alves: Educar é um ato de imortalidade...
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Salve
Um sonho feito de esperança. Educar para a liberdade, para a autonomia, é preciso enfim, ousar, ousar para reinventar a humanidade!
Avante!
É por essas e outras que eu continuo querendo, mais do que tudo, ser professor.
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