domingo, 2 de novembro de 2008

A arte de escrever
* Náire Belarmino de Carvalho - 1º período Português/Espanhol

Escrevo apenas pelo sabor das palavras;
pela limpeza da alma.
Escrever é viajar pelo desconhecido;
é conhecer as entranhas de um ser;
brincar com sinônimos;

instigar a mente;
acordar os mortos;

redescobrir-se.
Escrevo porque amo a arte no infinitivo

a arte de amar;
de sofrer;
de chorar;
de cuidar;
de vencer;
de sentir;
de sorrir;
de ser.
Escrever é um ato eminente;
da palavra ambígua,
uma arte insólita.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Segredos
*Bruna Bernabei - 3º período Português/Espanhol

E numa certa noite, ela descobriu que as linhas eram seus segredos...ela entendeu também, que as cores vestiam seu manto para cobri-la de magia...que seus pensamentos eram uma casa, e neles habitavam suas mais loucas fantasias...pequenas divagações...então, um dia, ela sonhou que era anjo...e suas asas foram se abrindo, se abrindo...até tocarem o infinito...mas a meninice ainda brincava em seus olhos...
Movimento
*Bruna Bernabei - 3º período Português/Espanhol

E tantos olhos, tantas bocas...o que eu mais queria era ser livre... e era...
o estranhamento, a vontade..1001 quereres...
por eles, por nós...
cada passo, cada gesto... o obsceno...
1001 olhares...
olhos fechados, boca em movimento...a voz pulsava...
tudo o que eu tinha era o além...era tudo o que podiam tirar de mim...
no fim, sem chances...
insanos, insana...
meu momento, nada mais!

sábado, 17 de maio de 2008

O Soldado

*Luiz Ambrósio - 2ºPeríodo Inglês

Por aquele breve momento eu simplesmente não existia.
E tudo naturalmente fazia sentido. A úmida grama estava verde, o céu azul, o vento gentilmente acariciava o meu rosto e bagunçava meu cabelo. Tudo era parte de mim e eu era parte do todo, o universo dançava perante meus olhos, e eu o acompanhava na mais sincrônica valsa que já tinha provado.
Pena que passou tão rápido.
Pena que a úmida grama não restou por muito tempo, pena que o céu logo se fechou em nuvens que formavam rostos assustadores, pena que a suave brisa se transformou em lâmina cortante que atravessava o meu corpo sem nenhum pudor.
Fui tragado de volta à realidade, entrei num redemoinho de confusão girando entre vozes e figuras, até que parei. Estou no chão, não... Estou no inferno. Meu peito queimava e o diabo, com suas garras em minhas costelas, abria caminho para fora de mim. Gritei, não há voz. O que sai de minha boca é uma quente, seca e desesperada expressão da dor, só existe a dor. Desmaiei.
Volto à consciência de pé em frente a um ensangüentado corpo caído no chão, sua face expressa terror e seus olhos uma estranha calmaria. Me aproximo e agacho ao lado do cadáver, é um soldado, mais um que encontro em meu caminho desde que cheguei com o pelotão a quase... Já nem lembro mais quanto tempo estou aqui. Fico ali olhando para aquele corpo e alguma coisa chama a minha atenção, são os seus olhos, castanhos e sem vida, olhos comuns que se vê em qualquer canto, olhos normais, muito simples, talvez já tenha os visto em algum lugar, talvez no próprio pelotão, ou na minha infância quem sabe, fico observando, aqueles olhos me parecem estranhamente familiares.
Fico perplexo com a visão, aqueles olhos... Meu Deus... Estes olhos... São meus.
Ora que ironia, quem diria que a face da Dona Morte seria a minha? Sou intruso de meu próprio funeral a céu aberto e nem os urubus vieram. Meu caixão será o fedor que envolverá meu corpo, e as velas foram acessas por fogo inimigo. Será que devo ficar até o fim do cerimonial? Quantos anos será que meu corpo resistira inteiro aqui no meio do nada? Prefiro não ser testemunha de algum animal saciando sua fome com meus restos mortais. Partirei, porém não sei pra onde. De que lado da guerra estou agora?
Saio andando em meio à paisagem desértica, seguindo meus passos que vagam quase que automaticamente, um passo após o outro vou me distanciando de mim, tento lembrar da minha morte, mas a confusão em minha mente é muito grande, não tenho noção de tempo e espaço, vou me perdendo em devaneios quando minha atenção é atiçada. Meus olhos agora etéreos visualizam a mudança de paisagem um pouco mais a frente, ela começa a apresentar alguma vegetação esparsa, algumas árvores frutíferas, um tom mais vivo e esverdeado do que aonde me encontro, em fato dois ambientes tão diferentes que parecem separados por um portal para outra dimensão.
Continuo minha romaria agora com um norte que se torna cada vez mais nítido e real, calculo que acelerando meus passos chegaria em torno de 30 minutos, meus olhos fitam o que talvez fosse o paraíso quando de repente ao longe, quase no fim de minha visão surge um ser fantasmagórico vindo em direção contraria à minha, ando em falso por um instante mas volto à jornada à medida que aquela figura vai ficando mais nítida.
Os minutos passam e com eles me vem uma estranha vertigem, aquele ser está cada vez mais claro para mim, já posso reconhecer pela vestimenta que é um soldado e para a minha surpresa, do meu próprio pelotão. Talvez também tivesse se perdido como eu, e talvez quando chegar à ele possa soprar-lhe no ouvido que rumas para a direção errada, que se continuar encontrará a morte certa nas mãos de meu próprio algoz.
Já estou quase correndo, a idéia de encontrar lugar melhor e esclarecer o companheiro me anima quase que vivazmente, correria mais rápido se não fosse a vertigem que agora se mistura com uma tontura, me deixa esfumaçados os pensamentos e meio sem noção de onde estou, luto para não perder a consciência...
Já nem me lembro a quanto tempo me perdi do pelotão, e estou à andar por entre estas árvores sem direção nenhuma. A imagem de um cálido deserto que se surge a minha frente me assusta e me dá a sensação de que estou cada vez mais perdido. Andando em meio à vertigem me surpreendo com algo lá na frente, talvez um vulto, um sinal de vida. Seria amigo? Talvez já esteja vendo coisas. Continuarei andando até achar o caminho, porém minhas pernas estão mais fracas e quase tremendo, sinto um calafrio subir a minha espinha como uma lagartixa correndo em uma parede fria e lisa, sinto medo... Mas medo de que? Estou armado e sou treinado. Não consigo, é como se uma parede invisível se construísse na minha frente me impedindo os movimentos. Um estranho medo da morte me assombra o ser, me sinto observado, um sombrio pressentimento me faz retornar pelo mesmo caminho e dar as costas ao deserto.

domingo, 13 de abril de 2008

Banalidade
*Bruna Bernabei - 2º período Português/Espanhol

-Conte-me algo.
-Sobre?
-Você.
-Eu?
-Coff coff...Sim...
-Chiclé?
-Obrigado.
-Me ama?
-Cigarro?
-Obrigada.
-Sim.
-O quê?
-Amo.
-Muito?
-Garçom, mais uma por favor!
-Sabe?
-Hein?
-Também te amo!
-Por quê?
-À toa...
-Você gosta?
-De quê?
-De amar...
-Sempre!
-Eu te amo!
-Me beija!

Bocas entrelaçadas...

-Qual é mesmo seu nome?

sexta-feira, 14 de março de 2008

A cor da poética
*
Rodrigo Santos de Castro – 2º período Português/Inglês

O dia grita a hora, a vida suplica o sonho.
O desacerto das idéias reclama a coerência, são os dias que caminham no ritmo da poesia. Não sei se é muito ou o mundo que ficou pequeno no último instante, só penso que o calendário já não é mais o mesmo, o trágico da vida, ou seria a ironia da dissonância?
Três ou quatro dimensões, pouco importa, nossos olhos nunca sabem até onde vai o hoje.
Junto o poema nos olhos, é a vida no sentimento de quem ama demais, poesia que ampara a esperança, é ilusão e desejo, a liberdade do lírico.

terça-feira, 4 de março de 2008

Obscuro
*Débora Braga Bezerra - 4º período Português/Inglês

Sim, sim.
Te deixo, que te revoltes!
Mas não; veja bem...
Não sejas de minha alma,
pobre alma!
O atroz.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Despedidas
*Marília Martins - 4º período Português/Inglês

É madrugada e quero me despedir. É necessário dizer adeus para essa ânsia de pensar em despedidas. Escrever oferece essa possibilidade. Minha ida é agora. Vou para um lugar inexistente, vou voltar para eu mesma. Quem sou eu? Uma sucessão de despedidas? Um pensamento sobre despedidas vividas? Ao longe, no eu mesma, no profundo eu que não conheço, vejo o útero daquela que me pariu. Não me lembro de ter desejado deixar aquele lugar. Não houve adeus, acho que o deixei forçada pelo dever de vir ao mundo. Teria eu dito adeus ao espermatozóide que deixei de ser? Ainda o sou? Quero despedir-me do dever de ser, e isso é inédito na minha história de coisas idas. Sempre vi as despedidas aconteceram sem que eu quisesse. Foi-se a inocência infantil e as nuvens de algodão. Foi-se a ansiedade adolescente e a vontade de "fazer acontecer”. Foi-se o desejo de mudar o mundo ao qual eu vim com os deveres de ser e de viver despedidas. Ser é dizer adeus. Eu disse adeus às minhas egoístas possibilidades de felicidade. Possibilidades são vontades que nascem sem o dever de ser e eu também não quero mais ser. Quero a sina de viver sem despedidas. Não posso mais ser adeus. Aqui dentro escuto os passos de um vazio que se recusa a sair. Vazios caminham? Eu preferiria que eles simplesmente se despedissem, mas sei que somente as coisas que preciso se vão sem voltar. Devo terminar esse texto para que ele se vá. Texto ou vômito? Alívio. Não estou aliviada. Entrará um vento frio pela janela. Você o poderá sentir? Estou me despedindo da necessidade da despedida. O vento chegou. Você o sente agora. Finalmente chega algo em minha vida. É madrugada. Com o vento chegou o vazio que caminha. Chegou a despedida.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Aminésia
*Bruna Bernabei - 2º período Português/Espanhol

Era 1969...1987 não me lembro bem o ano...

Era fevereiro..dezembro...não lembro bem o mês...

Ah..mas era dia de festa...feriado...Isso me lembro muito bem...

A chuva caía, caíamos com ela...

A grama estava lá...molhada e toda preguiçosa...

Nós em cima dela...Sempre requebrantes!!

Bons tempos aqueles...Bom dia aquele...

Se era carnaval?? Nem me lembro mais....

Só sei que naquele dia o CÉU foi o limite!

Lembra?