segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Despedidas
*Marília Martins - 4º período Português/Inglês

É madrugada e quero me despedir. É necessário dizer adeus para essa ânsia de pensar em despedidas. Escrever oferece essa possibilidade. Minha ida é agora. Vou para um lugar inexistente, vou voltar para eu mesma. Quem sou eu? Uma sucessão de despedidas? Um pensamento sobre despedidas vividas? Ao longe, no eu mesma, no profundo eu que não conheço, vejo o útero daquela que me pariu. Não me lembro de ter desejado deixar aquele lugar. Não houve adeus, acho que o deixei forçada pelo dever de vir ao mundo. Teria eu dito adeus ao espermatozóide que deixei de ser? Ainda o sou? Quero despedir-me do dever de ser, e isso é inédito na minha história de coisas idas. Sempre vi as despedidas aconteceram sem que eu quisesse. Foi-se a inocência infantil e as nuvens de algodão. Foi-se a ansiedade adolescente e a vontade de "fazer acontecer”. Foi-se o desejo de mudar o mundo ao qual eu vim com os deveres de ser e de viver despedidas. Ser é dizer adeus. Eu disse adeus às minhas egoístas possibilidades de felicidade. Possibilidades são vontades que nascem sem o dever de ser e eu também não quero mais ser. Quero a sina de viver sem despedidas. Não posso mais ser adeus. Aqui dentro escuto os passos de um vazio que se recusa a sair. Vazios caminham? Eu preferiria que eles simplesmente se despedissem, mas sei que somente as coisas que preciso se vão sem voltar. Devo terminar esse texto para que ele se vá. Texto ou vômito? Alívio. Não estou aliviada. Entrará um vento frio pela janela. Você o poderá sentir? Estou me despedindo da necessidade da despedida. O vento chegou. Você o sente agora. Finalmente chega algo em minha vida. É madrugada. Com o vento chegou o vazio que caminha. Chegou a despedida.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Aminésia
*Bruna Bernabei - 2º período Português/Espanhol

Era 1969...1987 não me lembro bem o ano...

Era fevereiro..dezembro...não lembro bem o mês...

Ah..mas era dia de festa...feriado...Isso me lembro muito bem...

A chuva caía, caíamos com ela...

A grama estava lá...molhada e toda preguiçosa...

Nós em cima dela...Sempre requebrantes!!

Bons tempos aqueles...Bom dia aquele...

Se era carnaval?? Nem me lembro mais....

Só sei que naquele dia o CÉU foi o limite!

Lembra?