quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Metamorfose da alma
Rayanne Finholdt - 2º Período

Estou em coma profundo
E posso sentir o meu corpo respirar.
Minhas mãos são como luvas frias
E minhas pernas não me obedecem mais.

Vi-a de perto no meu quarto,
Ela esteve aqui e sussurrou...
Eu pude sentir a sua presença
E quando abri os meus olhos
Eles já não me pertenciam mais.

Dê-me a graça, venha logo me buscar.
Dê-me a graça, venha logo me levar.
Dê-me a graça, venha logo me apanhar.
Eu não vou resistir, venha logo.

Conduza-me.
Transporte-me brevemente até a luz.
Num instante de sublimação,
Num segundo,
Vejo os flashs passageiros em minha mente
E eles me levam até você...
Relembrando-me do passado com alívio

Eu vi um túnel e ele me levava até a luz
Eu vi um anjo e ele se parecia com você
Dizendo-me o caminho correto a seguir, guiando-me.
Mostrando-me a estrada do adeus

Vejo um campo verde, há crianças brincando,
Elas estão cristalinas como eu...
Elas riem e dançam com alegria.
Elas correm e deitam na grama úmida.
Elas olham pro céu como se quisessem alcançá-lo,
Elas não sabem que o céu é aqui...

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Sem definição

*Marília Martins Ferreira - 3º período


Ouço as palavras gritarem meu nome. Um nome qualquer que não é o meu de certidão ou de batismo. Grito calmo. Grito forte. Ruído alto que sussurra ao pé do ouvido pedindo socorro. O mundo do ainda – não – dito as incomoda assim como incomoda-me o mundo do não-escrito, não-falado, não-feito.
Ainda as estou escutando gritar e esse som esta me ensurdecendo. Não consigo saber o que elas querem, mas deixo que elas me usem. Usem e depois me devolvam ao mundo do ensurdecimento.
Não quero ser surda!Vou fazer um coral com as moradoras do dicionário. Enquanto elas gritam suas definições frias e calculadas eu grito a minha definição.
Como me defino? Como palavra. Aquela que grita pedindo socorro. O mundo sem definição e as coisas cheias de sentidos sem sentidos me incomoda. Incomoda-me ser palavra.
Parei de gritar. Não posso mais porque ainda não achei uma definição. Fria e calculada? Não. Quente e calada. Parei de gritar porque estou escutando o grito das palavras. Acho que elas querem me ensurdecer.


segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Futura Canção do Exílio

*Vivian Zerbinatti Da Fonseca Kikuichi - 3º período

Minha terra tinha palmeiras
Onde gorjeava o sabiá,
Hoje as aves que existem
Já não sabem gorjear.

No céu havia estrelas
Que hoje não podem brilhar,
Nas várzeas as flores secaram
E não podem perfumar.

Em cismar, sozinho, à noite
Solidão encontro eu cá,
Não consigo ver palmeiras
Muito menos sabiá.

Onde estão os primores de minha terra?
Não consigo encontrar.
Não desfruto das belezas
Que antes podia desfrutar.

Não permita Deus que tudo morra
E que eu precise procurar
Em livros ou revistas
A palmeira e o sabiá.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Felicidade


*Vanessa Cristina da Fonseca - I período


O meu coração chora e ri, nem mesmo sei o que quero,
Achei que a felicidade havia chegado aqui, mas ainda espero...
Quando uma porta se fecha, outra se abre?
Será que destino é algo traçado e certeiro?
O coração insiste em bater, insiste em sofrer, insiste em sorrir!
Melhor viver de poucas alegrias em meu mundo pequeno,
Melhor dormir sob o luar e abraçar o travesseiro.
Estava tudo certo, na desordem do meu dia-a-dia
Cada coisa tinha seu lugar, apenas sonhar não podia,
Mas sonho é ilusão, é falsidade, é fantasia...
Sinceramente são coisas de não necessito
Eternamente ficarei aqui na cama fria e vazia
Mas com todas as coisas em seu lugar
E com meu coração a bater sem sonhar
Abraçando o travesseiro e feliz...
Pois felicidade não se ganha ou conquista, se constrói
Se acredita e se vive, mesmo sem amar!

domingo, 14 de outubro de 2007

Era uma vez...

*Irma Beatriz Araújo Kappel - Pra. Dra. do Curso de Letras

Como toda história de fantasia, encantos e desencantos, esta também se inicia assim...
Era uma vez... a história de um simples trabalhador. Para surpresa de muitos, não é a de príncipes nem de princesas; nem de personagens pobres ou feios que se transformaram em ricos e belos, mas simplesmente a história de um trabalhador entre tantos outros desconhecidos de nossas histórias.
Uma característica especial havia nesse trabalhador: todos o conheciam e usufruíam de seu trabalho para que pudessem construir seus próprios caminhos. E isso o deixava feliz.
Começou sua carreira entusiasmado e otimista porque havia um mundo a ser desvendado e construído. Os anos se passaram e, com eles, os sonhos se transformaram com a dura realidade que se apresentava: os recursos no trabalho eram escassos; por falta de tempo, passou a ser isolado; seus “clientes” – nome dado pela importada Qualidade Total – já não vinham por causa de seu trabalho, mas pelo que lhes era oferecido como refeição; os governantes, percebendo que o local de atuação deste trabalhador era excelente para resolver outros problemas sociais, aproveitaram para vacinar, tratar os dentes, fazer campanhas, inclusive políticas; seu salário mal dava para comer, vestir e morar, que dirá para comprar revistas, jornais, livros, participar de cursos pelos quais tinha grande interesse, mas não tinha tempo nem dinheiro; e o mais grave de tudo: qualquer um era considerado capaz para substituí-lo, mesmo que não tivesse vocação, formação ou habilitação para tal.
Com tudo isso, ele foi se acabando. Mataram sua identidade: perdeu braços, pés, tronco, cabeça... menos o coração que, mesmo sozinho, batia, pulsava tão forte que conseguiu sobreviver. A força desse coração, unido a outros corações, fê-lo sobreviver, lutar e intervir na construção dessa história mal contada, reconstruindo-a de forma diferente.
Sempre será hora de resgatar o respeito, as adequadas condições de trabalho, o tempo para estudo e pesquisa, o salário merecido, o trabalho em conjunto. Dessa forma, estaremos reconstruindo esse profissional que tentaram extinguir: o professor.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

História de vida

Durante toda minha vida ele tem me acompanhado. Ele, o medo. Na infância, na adolescência e também agora no inicio da vida adulta. Sem tréguas ou intervalos consideráveis, sua presença sempre foi marcante.
Quando eu era pequenina era mais fácil lidar com ele. Afinal, quando se é criança, não há futuro ou passado, a vida é só o presente, o agora. O medo do escuro, de tirar foto, de altura ou cão raivoso era facilmente amansado por um forte agarro na barra da saia de minha mãe.
Já na adolescência a saia perdeu o sentido. Tudo o que eu mais queria era me livrar dela e poder me agarrar às minhas próprias concepções. Nessa fase o futuro e o passado fazem já muitos danos e passam a ser grandes medos. “Qual carreira seguir?”, “Em quem confiar?”, “Namorar ou não?”. As escolhas começam e o medo de errar é de tirar o sono, entretanto as conseqüências ainda são tímidas.
Hoje perco o sono verdadeiramente. As conseqüências das minhas escolhas são sofridas por mim e isso me faz tremer de medo. O futuro, hoje bem mais pesado que o passado, faz as pernas bambearem. São grandes responsabilidades e maiores os riscos. Um erro, quando adulto, te faz crescer, porém pode ser irreparável.
Crescer. Percebo que esse verbo foi sempre acompanhado do temer. A minha história de vida, e creio que todas as histórias de vida, foram marcadas pelo medo, mais sei que esse contribuiu para o crescimento.
Não sei como será a fase idosa, mas sei que sentirei medo. Medo de morrer, de deixar quem eu amo, de ter errado demais ou de ter sentido muito medo. E ao pensar nisso, penso no fim e lembro de Drummond : “ Cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte, depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas”.


Marília Martins Ferreira - 3º período

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Aula de português

*Ozíris Borges Filho - Pr. Dr. do Curso de Letras

Rel(a)ção...
Cheia de colocações pronominais corretas
Sujeitos simples e objetos diretos
Procuramos, vezes, os complementos
Ora os encontramos
Ora estranhamos

Alternativas...

Então, vírgulas e reticências cresceram
Também as adversativas e concessivas...
D repente, a conclusão próxima
Nosso texto ficou incoerente
Chegou nosso poente
E uma dor mais q dor d dente

Oz.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Menina dos pé descalços

*Bruna Bernabei - 1º período

Cabelos esvoaçantes que traduzem o mais cândido sabor da liberdade. Menina dos pés descalços com seu vestido solto na altura dos joelhos, anda entre as flores pisando na terra pura da cor de seus castanhos olhos. Em meio a um espaço pastoril embriaga-se com o perfume da natureza e distrai-se com o cantarolar dos pássaros. Menina que cheira à rosa e reluz candura... Senta-se embaixo da árvore epõe-se a sonhar. Sonha com o agora e se desperta em meio a devaneios. Sorri para o sol como se sorrisse para seu mais fiel amigo. Deixa que o vento a toque como se fosse seu mais ardente amante. A menina com os pés no chão fecha os olhos e vai em busca da paz derradeira,intimamente contida em seu coração.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Coração

*Luiz Ambrósio - 1º período

Ó coração, bem que eu tento
Livrar-te deste desalento
Mas não é tarefa pra uma só vida
O tempo todo esta pulsando
Ora percebo que está só sangrando
A cada mágoa, uma batida

Ó coração, eu sei que sente
Uma tristeza revoltada
Uma distante, lembrança amargurada
Um bate bate descontente

Ó coração vê se me escuta
Desiste logo desta luta
E se entrega de uma vez ao tédio
De que adianta se enganar
Assume logo teu novo lar
Na rua da Saudade, na altura cemitério

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Anular o Humano

*Tiago Resende Rodrigues - 2º período