sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Alguém arrisca um lance?


* Marília Martins Ferreira - 3º período


Vinte e seis de abril de mil novecentos e oitenta e oito. Chego ao mundo. Não me perguntaram se eu queria nascer. Não me explicaram porque vim ou para onde vou. Então, minhas pernas caminham sem saber chegar, e quando não se sabe, qualquer lugar serve.
“É uma infâmia nascer pra morrer”, concordo com Clarice Lispector. “Não deveríamos nos acostumar com a frouxidão dos abraços...”, descordo de Marina Colassanti. A prova de que aquela está certa me arrebata todos os dias, e o cotidiano me mostra que essa ainda acredita em utopias.
Já fui utópica. Sonhei com príncipe encantado, desejei ser mãe, hoje, caminho. Com meus relacionamentos aprendi, sem querer, que “o pra sempre, sempre acaba” como dizia Cássia Eller, e que o ser humano é egoísta em sua essência. A exemplo de Brás Cubas “não quero transmitir a nenhuma criatura o legado da minha miséria”.
Incorporei ao meu viver, depois de esperar inutilmente reprises de bons momentos, o desejo de que “seja infinito enquanto dure”. Existem oportunidades, desejos, palavras, beijos e sensações que só acontecem uma vez na vida. Infelizmente demorei dezoito anos para descobrir isso.
Ainda culpo meus pais por tudo apesar de Renato Russo ter dito que isso é absurdo. Entretanto, consigo compreender, sacrificadamente, que eles sofrem e que são crianças como eu, mas não me comovo e nem sofro com isso.
Causa-me sofrimento saber que amizades verdadeiras só encontrei nos meus irmãos. Descoberta essa que acompanhou a saudade. Quando me conscientizei disso, eles já não estavam mais debaixo do mesmo teto que eu e a saudade misturada à ausência me dói.
Sinto saudades também das cachoeiras em que não me banhei, dos lugares que não visitei, das bocas que não beijei, dos abraços que nunca ganhei. Mas a saudade mais sentida á dos sonhos que abandonei.
Ainda não deixei a falta de esperança, o pessimismo, a saudade e a minha revolta dita sem causa.
Meu coração tento leiloar para alguém que me traga de volta. Preciso do retorno dos meus sonhos, do meu espírito renovador e da crença no amor.

Alguém arrisca um lance?


terça-feira, 25 de setembro de 2007

Viver

*Debora Braga Bezerra - 3º período

Respirar
Encantar-se. Passar
Um sopro, é.
Emoção e não - emoção,
Razão, não - razão.
Inquieta a
idéia

Roda
Cabeça e os
Pés acordam
O corpo ressurreto
A córdia
A dança do...
Razão, ou não.

Córdia - bamba

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Des-cobrindo


*Antônio Leonardo Xenofonte – 1º período


Eu também nasci há uns 10 mil anos antes de hoje, assim como o p(r)o(f)eta Raul do Apocalipse. Mas não sei muita coisa não; to só começando!
Aprendi que o que vale mesmo na vida não custa caro nem está muito longe, está ao alcance do coração e se paga com carinho! Descobri que ser feliz é uma opção que todos temos, sem exceção.
Aprendi também que não importa o quão errado ou mal algo está, no final tudo dá certo e se não deu, é porque ainda não é o final. Descobri que nunca terei o que quero, mas não há de me faltar aquilo que preciso. Não vi o amor nascer, mas duvido que tenha sido assassinado, afinal, como disse um tal CHE, não se pode deter a primavera.
Não sou filósofo, mas descobri vários filosóficos sentidos para a vida. Sei que as respostas que procuramos estão ai, basta que façamos as perguntas certas a certas pessoas. E todo carnaval tem seu fim, mas todo ano tem de novo. Descobri que não se faz mais rock como antigamente, que samba hoje virou pagode e que a música da terra hoje virou da grana.
Aprendi que não existe verdade absoluta, e sim versões. Descobri que sou apenas mais um, um a mais e que toda revolução começa com apenas um; e depois vários mais.
Aprendi que dinheiro faz bem ao mal, e que, bom ou mal, precisamos dele. Só peço que ele não seja o objetivo e sim a conseqüência (coisas da tal filosofia de vida). Não traz felicidade, mas te ajuda a ser tristinho seja lá aonde.
Aprendi e vou continuar aprendendo, será meu único tesouro.
Aprendi que no exato momento em que morremos, perdemos 21 gramas - dizem ser o peso da alma. Descobri que o coração bate determinadas vezes durante a vida e que cabe a nós aproveitar cada uma dessas batidas ao máximo; a vida não foi ontem, nem será amanhã e "o tempo não pára", de acordo com um certo rapaz. E passa rápido de acordo com minha avó! Basta um piscar de olhos e lá se vai a eternidade de um segundo! Então, vivam, vejam o copo sempre meio cheio, bebam dessa fonte enquanto puderem, pois no final só temos duas certezas: estamos vivos agora e um dia iremos morrer. Tudo que acontecer entre estes dois eventos nos pertence, e a ninguém mais! Aprendi que ser eu mesmo sempre não significa ser sempre o mesmo eu. Aprendi a militar por minhas causas e ser porta-voz de mim mesmo, lutar pelo que quero, mesmo que não vença!
Aprendi a aprender, descobri e depois esqueci como me arrepender.
Aprendi também a agradecer mais do que pedir, a ouvir mais que dizer (ainda estou trabalhando nessa parte) e a dizer a verdade, seja ela qual for.
Aprendi e espero continuar aprendendo. E depois de aprender tanto, descobri que falta muito ainda! Ainda bem que não aprendi a desistir!

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Poema das Cores
*Abimael Luiz de Souza - 1° período


Tudo parecia estar azul
Azul como mar
Azul como céu
Buscava nas entranhas da alma
O branco da calma
Mas aquela notícia
Naquele instante
Fez tudo acabar
O branco acinzentou-se
O azul ofuscou-se
Meu rosto empalideceu
Agora tento viver
Sob as tristes lágrimas escuras
Da face de quem perdeu.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Sexta-Feira

*Celso José Cirilo - 1º período

Decididamente a suavidade e a ternura desta música não coadunam com os ares agitado e barulhento desta sexta-feira. A cidade prepara suas baladas ao som frenético de ronco de motores e buzinas malucas. Desrespeito total àqueles que, como eu, anseiam o silêncio como pano de fundo das suas canções.
Apesar de tudo, a música inunda o quarto, a mente, a lembrança... Percebo, entre sons de saxofone, que esta sua foto combina mais com o tom enigmático da tarde - noite de inverno do que propriamente com a música que envolve o meu mundo. O seu sorriso é o mesmo de sempre e seu olhar (esse que costumo roubar às vezes) tem um quê de mistério. Está todo o tempo triste e revela uma ânsia contida de viver novos mundos, de respirar fórmulas mais profundas de vida. Sempre me perco entre o que me mostra o seu sorriso e o que leio no seu olhar. São tão antagônicos! De concreto, a sua beleza; essa mescla de boa forma e sensualidade exposta.
Quando acaba a música, fica a certeza de que tudo muda, passa, transforma, acaba.
Deveríamos crescer rumo ao infinito para que, pelo menos, tentássemos entender o mecanismo que regula a transitoriedade das coisas. Quem sabe aprendêssemos a cultivar a sintonia implícita na troca de olhares, mesmo porque, como diz a canção; nada restará na corrente do tempo, senão o coração.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Lembranças

*Carlos Gustavo Garcia

Do que será que se trata, na verdade, quando se conversa sobre lembranças?Segundo os tais neurocientistas e afins, o presente nem mesmo existe, porque o que o corpo consegue entender como presente já é passado - microsegundos de tempo passado, mas já é passado. Tem gente que ainda diz que nem as lembranças mesmo existem, é só reprodução má e porcamente fiel ao caso acontecido que o nosso cérebro registra, porque grava só o que estamos focados no momento, muitas vezes, e não as coisas ao redor.Isso, na verdade, me veio à cabeça quando lembrei do aniversário de um amigo de infância que hoje chega aos dezoito anos. Encontrei o rapaz na sua casa e acompanhado da mãe, assim como eu, que fui até lá com a minha. Em certo tempo, ele teve que sair e ficamos as três figuras restantes na sala, com as duas progenitoras lembrando como, quando pequenos, eu e ele brigávamos, competíamos, mas nunca deixamos a amizade de lado.Não sei bem qual é a primeira lembrança minha e só minha que tenho da infância, porque as histórias que me contam já se incorporaram na minha mente e as reminiscências ficam como mesclas de fatos contados e fatos vividos de verdade. Por exemplo, em relação a esse camarada das antigas, diz minha mãe que ele sempre queria ser o mais velho dos dois, mas era nove meses mais novo e se achava inferior por causa disso. Diz ela que até hoje é um pouco assim, mas eu mesmo nunca liguei muito. Sobre isso, lembro de uma discussão feia que tivemos por causa da pronúncia certa de "orelha", enquanto eu teimava que era de um jeito e ele insistia que era de outro; logicamente, nenhum dos dois estava certo, no final das contas.O mais impressionante é como os cheiros ficam retidos no meio do emaranhado neuronal. Na primeira infância, andar 200m de carro pra mim era uma tortura, pois me sentia enjoado todo o trajeto. Para acalmar esse efeito, minha mãe me fazia engolir umas gotinhas de Dramin, que deve ter sido o gosto mais horrível da infância de muita gente também. O cheiro do remédio, até hoje, me causa nojo. O gosto também, claro, mas como o cheiro vem antes do gosto, no sentir, foi ele quem mais marcou.Falo aqui das primeiras lembranças porque elas são as mais complicadas de serem distinguidas entre vividas ou contadas pra nós. Claro que as acontecidas em idades mais avançadas são mais fáceis de separar, mas mesmo assim algumas teimam em dar a mão a outras para misturar as visões do vivente e do observador. Se alguém tiver uma lembrança de antes dos três anos de idade-se não me engano, essa é a idade em que os bebês começam a guardar suas memórias-, pode se considerar co sorte. Primeiro porre, primeira desilusão maior, várias cenas se engavetam na cabeça pra todo mundo montar o mosaico mental da nossa vida.

*Carlos Gustavo é aluno do 3º periodo de Biomedicina, colaborador e diagramador do Blog Acadêmico - Assim Se Faz em Letras

domingo, 2 de setembro de 2007

Participar é Preciso! Ser é estar!

*Ozíris Borges Filho

Com o objetivo de dinamizar ainda mais o Curso de Letras da UFTM, surge este Blog. Espaço moderno para alunos e professores modernos, atuantes. Trata-se de mais um espaço criativo para manifestações criativas de alunos/professores criativos. Haja cri(a)tividade! Mas é isso aí. Para aqueles que querem mais, exigem mais, fazem mais. Apesar dos outros, apesar da vida, apesar de si mesmos. Apesar o que vale e o que não vale, independente da alma pequena. Aliás, de resto, qual não o é?Vale qualquer tipo de texto, desde que haja uma mensagem que prenda, atenta, a lenda...Assim, enviamos nosso sinal de fumaça para que todos participem, pois como disseram os quatro apóstolos da humanidade: David, Roger, Nick e Richard: “Together we stand / Divided we fall”.E o resto, como se sabe, é silêncio!
Zirão, sangue bão!

*Ozíris é Prof. Dr. do Curso de Letras da UFTM, e Orientador do Blog Acadêmico - Assim Se Faz em Letras