terça-feira, 20 de novembro de 2007

O Universo em Nós

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Paulo Henrique dos Santos Oliveira - 4 período de Jornalismo da UNIUBE

E se eu for mais fundo, mais fundo dentro de ti,
Não te importes, é porque tenho uma sede,
Algo incontrolável que me faz sentir, explorar,
Tocar, e pensar, e porquanto estas coisas não
Costumam se misturar, pois uma é a satisfação dos sentidos,
E a outra é o alimento da mente.
Mas sim, eu as tenho, e juntas elas me consomem,
E tendo só a mim, sinto o que já senti antes, penso,
Mas penso em coisas que eu mesmo inventei
E a paixão continua, a pantera luxuriante,
Que se apega à minha alma, até ali não usada,
Mas guardada a sete chaves para uso precioso.
Oh, alma que deveria se resguardar dos palanquetes
Da vida real, pois tu és frágil e submissa, não importa seu portador,
E quando se põe à flor da pele, tudo que recebe é mais intenso,
E os mínimos sons te constroem uma orquestra cujas notas são ambíguas
Pois te ferem e ao mesmo tempo curam, são o veneno e o antídoto!
Antídoto este que ali está mas não se faz presente
Que tu nunca sentes! Quando és de homem comum
Que passa a vida enriquecendo as almas, mas não a sua,
A de outros.
Ah, pois veja, me esqueço!
A prolixidade não me é uma estranha, por muitas vezes,
Eu vi sua luz e dela me aproximo
Leniente, aberto, ou até mesmo ressabiado.
Mas dela minh’alma se aproveita.
E se liberta, engasga àqueles que não a querem ver!
Alma nobre a minha, pois vejo-a mais nos transeuntes
Nos boêmios, nos loucos e naqueles que se entregam ao viver,
Vejo a mim neles, bem mais do que em mim mesmo.
E não perco a mim mesmo, pois aprendo com todos,
Eu guardo as chaves da sabedoria insana
Eu sou, e tu és, e todos somos, um do mesmo, muitos que se juntam,
E que nisto vêem sua mesma essência, que é natural.
Eu sou o arauto dos deuses antigos, que entre nós viveram,
E deixaram-se aqui, um pouco, e ali,
Mais um pouco, e formaram a tudo. Inclusive a ti.
Então compreenda minha sede de ver, de saber, de tocar,
Saiba que eu sei que um dos deuses se encontra em ti, e anseio por vê-lo
Admirá-lo nos ternos momentos caseiros, lidando com coisas que não são seu reino,
Vendo-o achar seus pares em mim, e em todos, e em apenas uma coisa...
O céu, que nos oculta as verdades eternas, para lá olhemos,
Pois eu sou, nós somos, e assim reconhecemos,
Pois é na névoa das galáxias que o nosso futuro se esconde
Onde recôncavos de nada, assim como os amantes,
Refletem seu brilho em nossos olhos cintilantes.

Um comentário:

@brunocomfilo disse...

Texto perfeito...
Um poeta da dualidade sintetizada numa idéia só...

Parabéns!