Sexta-Feira
*Celso José Cirilo - 1º período
Decididamente a suavidade e a ternura desta música não coadunam com os ares agitado e barulhento desta sexta-feira. A cidade prepara suas baladas ao som frenético de ronco de motores e buzinas malucas. Desrespeito total àqueles que, como eu, anseiam o silêncio como pano de fundo das suas canções.
Apesar de tudo, a música inunda o quarto, a mente, a lembrança... Percebo, entre sons de saxofone, que esta sua foto combina mais com o tom enigmático da tarde - noite de inverno do que propriamente com a música que envolve o meu mundo. O seu sorriso é o mesmo de sempre e seu olhar (esse que costumo roubar às vezes) tem um quê de mistério. Está todo o tempo triste e revela uma ânsia contida de viver novos mundos, de respirar fórmulas mais profundas de vida. Sempre me perco entre o que me mostra o seu sorriso e o que leio no seu olhar. São tão antagônicos! De concreto, a sua beleza; essa mescla de boa forma e sensualidade exposta.
Quando acaba a música, fica a certeza de que tudo muda, passa, transforma, acaba.
Deveríamos crescer rumo ao infinito para que, pelo menos, tentássemos entender o mecanismo que regula a transitoriedade das coisas. Quem sabe aprendêssemos a cultivar a sintonia implícita na troca de olhares, mesmo porque, como diz a canção; nada restará na corrente do tempo, senão o coração.
Apesar de tudo, a música inunda o quarto, a mente, a lembrança... Percebo, entre sons de saxofone, que esta sua foto combina mais com o tom enigmático da tarde - noite de inverno do que propriamente com a música que envolve o meu mundo. O seu sorriso é o mesmo de sempre e seu olhar (esse que costumo roubar às vezes) tem um quê de mistério. Está todo o tempo triste e revela uma ânsia contida de viver novos mundos, de respirar fórmulas mais profundas de vida. Sempre me perco entre o que me mostra o seu sorriso e o que leio no seu olhar. São tão antagônicos! De concreto, a sua beleza; essa mescla de boa forma e sensualidade exposta.
Quando acaba a música, fica a certeza de que tudo muda, passa, transforma, acaba.
Deveríamos crescer rumo ao infinito para que, pelo menos, tentássemos entender o mecanismo que regula a transitoriedade das coisas. Quem sabe aprendêssemos a cultivar a sintonia implícita na troca de olhares, mesmo porque, como diz a canção; nada restará na corrente do tempo, senão o coração.
Um comentário:
É estranho, mas às vezes penso que o essencial não é o que se diz, mas como se diz. Sentimento em palavras. Gosto de descrições posiciona o leitor e dá suporte aos sonhos, às viagens poéticas. Todo bom texto exige esse ar de trabalhado, é nisso que eu acredito, conquistamos as palavras, e o texto nos conquista.
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